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Quanto Cobrar Personal Trainer: Tabela e Guia Completo

Guia completo para personal trainers que querem precificar seus serviços com base em custos reais, não em achismo. Inclui tabela por região, modalidade e cálculo passo a passo.

Personal trainer sentado no banco da academia, pensativo, no intervalo entre atendimentos

Você passa horas estudando periodização, atualiza certificações todo ano, se preocupa com cada aluno individualmente, e no fim do mês olha para o seu extrato e sente que algo não fecha. O problema, na maioria dos casos, não é falta de alunos. É o preço.

Cobrar bem é uma das habilidades menos ensinadas na formação do personal trainer, e uma das que mais afetam a sua vida financeira. A maioria dos profissionais define o preço olhando para o que o colega cobra, ou pelo que o aluno demonstra que pode pagar. Essas duas estratégias garantem uma coisa: você vai ser um dos mais baratos do mercado.

Este guia vai te ajudar a calcular quanto cobrar como personal trainer de forma objetiva, com o que 288 personais cobram de verdade, tabelas por região e modalidade, fórmula para calcular o custo real da sua hora e os passos concretos para reposicionar seu preço sem perder a cartela de alunos que você construiu.

Quanto os personal trainers cobram de verdade: dados de 288 profissionais

Entre os personal trainers que cobram os alunos pelo Welltrainer, a mediana do plano mensal é R$ 160. Um quarto cobra até R$ 100 e um quarto cobra acima de R$ 306: 23% cobram menos de R$ 99 e 15% cobram R$ 500 ou mais. O plano anual sai por R$ 100 por mês equivalente (mediana de R$ 1.200 no ano). Números medidos em 808 planos ativos de 288 profissionais, em 15 de setembro de 2026.

A maioria das tabelas de preço na internet cita faixas amplas sem dizer de onde saíram. Estes números são o que 288 personal trainers cobram de verdade dos alunos deles, medidos nos planos de cobrança ativos dentro do Welltrainer.

A distribuição real do preço mensal

A amostra são 480 planos mensais com valor entre R$ 30 e R$ 1.500 (fora disso são testes de cadastro, não preço de verdade). Não existe um preço padrão: as duas pontas são grandes. Quem está definindo o próprio valor costuma olhar a média, mas a média aqui (R$ 321) é puxada por poucos planos muito caros. A mediana, R$ 160, representa melhor o meio do mercado.

Preço do plano mensal Planos Parcela
Até R$ 99 110 23%
R$ 100 a R$ 149 85 18%
R$ 150 a R$ 199 84 18%
R$ 200 a R$ 299 72 15%
R$ 300 a R$ 499 55 11%
R$ 500 ou mais 74 15%

Mensal, trimestral, semestral ou anual

A mesma base, separada por período de cobrança. A última coluna é o que aquilo dá por mês, para comparar em pé de igualdade.

Período Planos ativos Mediana cobrada Equivale por mês
Mensal 491 R$ 160 R$ 160
Trimestral 165 R$ 399 R$ 133
Semestral 90 R$ 767 R$ 128
Anual 62 R$ 1.200 R$ 100

O desconto por fidelidade é real e consistente: quem paga mês a mês paga R$ 160, quem fecha um ano paga o equivalente a R$ 100 por mês, 37,5% de diferença. E 183 dos 288 profissionais oferecem um único período: quase dois terços deixam de dar ao aluno a opção de pagar adiantado com desconto, que é o que reduz cancelamento e antecipa caixa.

De onde saem os números: base do Welltrainer em 15 de setembro de 2026, com 808 planos de cobrança ativos criados por 288 personal trainers. Cada plano é um preço que um profissional cobra de verdade dos alunos, não uma estimativa. Valores fora da faixa de R$ 30 a R$ 1.500 no mensal ficaram de fora por serem testes de cadastro.

Por que a maioria dos personais cobra menos do que deveria

A maioria dos personal trainers cobra abaixo do valor justo porque calcula o preço com base na concorrência ou na percepção do aluno, sem considerar seus custos reais. Segundo o Sebrae (2024), 68% dos personal trainers autônomos não sabem calcular seu custo hora real, o que leva a preços insustentáveis no longo prazo.

Existe uma crença difundida no mercado de que cobrar mais vai afastar alunos. Às vezes isso é verdade. Mas o que os dados mostram é diferente: personais que cobram mais tendem a ter alunos mais comprometidos, menor rotatividade e maior satisfação com o próprio trabalho.

O problema começa na formação. Nenhum curso de educação física ensina precificação. O recém-formado entra no mercado sem referência, olha para o que os colegas cobram na academia e adota o mesmo valor. Isso cria um efeito de compressão de preços que prejudica toda a categoria.

Segundo o IBGE (PNAD 2023), a renda média do profissional de educação física no Brasil é de R$ 2.615 mensais. Esse número revela que boa parte da categoria está definindo preços abaixo do potencial do mercado, muitas vezes sem perceber o custo real do próprio trabalho.

A segunda armadilha é o que chamamos aqui de armadilha da hora-aula. O personal vende “a hora” e esquece de contabilizar tudo o que está ao redor dessa hora: deslocamento, tempo de planejamento de treino, mensagens com o aluno, estudo, renovação de certificações, impostos, equipamentos. Quando você soma tudo, a hora vendida por R$ 80 pode estar custando R$ 60 em tempo e estrutura.

Segundo dados da Catho e Vagas.com (2024), personal trainers autônomos faturam em média R$ 3.300 por mês. Já o IBGE, pela PNAD 2023, aponta que a renda média do profissional de educação física é R$ 2.615 mensais. São números que mostram um mercado com potencial alto, mas com muitos profissionais entregando mais do que recebem.

Como calcular o seu custo hora real como personal trainer

Para calcular o custo hora real, some todos os seus gastos fixos mensais (transporte, certificações, equipamentos, impostos, alimentação profissional, plataformas de gestão) e divida pelo número de horas produtivas que você consegue vender por mês. O resultado é o mínimo que você precisa cobrar por hora para não ter prejuízo.

Antes de olhar para qualquer tabela de mercado, você precisa saber o piso do seu preço. Esse piso é o custo hora real. Abaixo dele, você trabalha no prejuízo, mesmo que o banco não acuse saldo negativo de imediato.

Veja como calcular:

Passo 1: Levante todos os seus custos mensais

  • Aluguel de espaço ou mensalidade de academia (quando aplicável)
  • Transporte (gasolina, Uber, transporte público)
  • Equipamentos, acessórios e materiais de treino
  • Certificações, cursos e congressos (divida o custo anual por 12)
  • Aplicativos e plataformas de gestão
  • Plano de saúde e previdência privada (você é MEI ou PF)
  • Imposto sobre renda ou DAS do MEI
  • Alimentação durante o período de trabalho
  • Roupas e uniformes profissionais

Passo 2: Some o tempo não pago

Para cada hora de atendimento, você gasta em média:

  • 15 a 20 minutos planejando o treino daquele aluno
  • 10 a 15 minutos respondendo mensagens e dúvidas
  • Tempo de deslocamento (se atende em local externo)

Se você atende 1 hora, na prática trabalhou entre 1h30 e 2h para aquele aluno.

Passo 3: Calcule a capacidade produtiva real

Um personal que trabalha 6 dias por semana dificilmente consegue manter mais de 5 a 6 atendimentos por dia de forma sustentável. Isso dá, no máximo, 120 a 130 horas vendidas por mês. Descontando férias, feriados e imprevistos, trabalhe com 90 a 100 horas por mês como base de cálculo.

Passo 4: O cálculo final

Custo hora mínimo = (Soma dos custos mensais + Pro-labore desejado) / Horas vendidas por mês

Exemplo: custos de R$ 1.800/mês + R$ 5.000 de pró-labore desejado = R$ 6.800. Dividindo por 90 horas = R$ 75,55 por hora. Esse é o seu piso. Abaixo disso, você perde dinheiro.

Usar uma ferramenta de controle de pagamento integrada ao seu fluxo de trabalho ajuda a enxergar esses números com clareza. O Welltrainer, por exemplo, tem módulo financeiro com extrato, planos e links de pagamento, o que facilita muito o acompanhamento do que entra e o que sai.

Tabela de preços por região: quanto cobrar em 2026

O preço do personal trainer varia significativamente por região. Em São Paulo e Rio de Janeiro, sessões individuais giram entre R$ 120 e R$ 350 por hora. No Sul e Sudeste (interior), entre R$ 80 e R$ 180. No Nordeste e Norte, entre R$ 60 e R$ 140. Esses valores se referem a atendimento presencial individual em 2026.

Os valores abaixo são referências de mercado para atendimento presencial individual (1:1), baseados em pesquisa de mercado e dados de plataformas de emprego e freelancing fitness no Brasil em 2026. Use como ponto de partida, não como teto.

Região Faixa Iniciante Faixa Intermediária Faixa Especialista
São Paulo (capital) R$ 100 a R$ 150 R$ 150 a R$ 250 R$ 250 a R$ 400+
Rio de Janeiro R$ 90 a R$ 140 R$ 140 a R$ 220 R$ 220 a R$ 350+
Sul (Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis) R$ 80 a R$ 130 R$ 130 a R$ 200 R$ 200 a R$ 320+
Sudeste interior (BH, Campinas, Ribeirão) R$ 70 a R$ 110 R$ 110 a R$ 180 R$ 180 a R$ 280+
Centro-Oeste (Brasília, Goiânia) R$ 80 a R$ 120 R$ 120 a R$ 190 R$ 190 a R$ 300+
Nordeste (Fortaleza, Recife, Salvador) R$ 60 a R$ 100 R$ 100 a R$ 160 R$ 160 a R$ 250+
Norte e demais cidades pequenas R$ 50 a R$ 80 R$ 80 a R$ 130 R$ 130 a R$ 200+

Legenda: Iniciante = até 2 anos de experiência, sem especialização formal. Intermediário = 3 a 7 anos, com uma ou mais especializações. Especialista = 8+ anos, nicho definido, reputação estabelecida.

Segundo o CONFEF (2023), o Brasil tem mais de 500 mil profissionais de educação física registrados. Com tanta oferta, a diferenciação deixa de ser uma vantagem e passa a ser uma necessidade para quem quer cobrar bem.

Tabela de preços por modalidade de atendimento

O preço do personal trainer varia conforme a modalidade. O atendimento presencial individual é o mais caro (R$ 80 a R$ 350 por hora). O atendimento online custa em média 40% a 60% menos por sessão, mas permite escala. Grupos pequenos (2 a 5 pessoas) têm valor por pessoa entre R$ 50 e R$ 130, dependendo do tamanho e da região.

Cada modalidade tem uma lógica de precificação diferente. Não adianta comparar o preço da sua aula individual com o de um colega que faz grupos de cinco, ou com quem atende apenas online. São modelos de negócio distintos.

Modalidade Formato Faixa de Preço (Brasil) Observações
Presencial 1:1 Por sessão (60 min) R$ 80 a R$ 350 Maior preço por hora, menor escala
Presencial 1:1 Mensalidade (4 sessões/semana) R$ 800 a R$ 3.500 Melhor para retenção e previsibilidade
Duo (2 alunos) Por pessoa por sessão R$ 60 a R$ 180 Você ganha mais por hora do que no 1:1
Grupo pequeno (3 a 5 pessoas) Por pessoa por sessão R$ 40 a R$ 130 Boa margem se o grupo for fiel
Online individual Mensalidade (treino + acompanhamento) R$ 200 a R$ 800 Alta escala, baixo custo operacional
Online com videoconferência Por sessão (45 a 60 min) R$ 60 a R$ 200 Próximo ao presencial em resultado
Híbrido (presencial + online) Mensalidade R$ 500 a R$ 2.000 Tendência crescente pós-pandemia
Consultoria pontual Por hora ou pacote R$ 150 a R$ 500/sessão Alta percepção de valor, sem continuidade

Segundo a IHRSA (2023), o mercado fitness brasileiro movimenta mais de R$ 12 bilhões por ano. Uma parcela crescente desse volume vem de serviços online e híbridos, que ganharam espaço permanente no comportamento dos consumidores brasileiros.

Para quem já trabalha com atendimento online, aprender como ser personal trainer online de forma estruturada faz diferença direta no preço que você consegue cobrar e na taxa de retenção dos alunos.

A armadilha da hora-aula e como sair dela

A armadilha da hora-aula acontece quando o personal trainer precifica apenas o tempo de atendimento direto, ignorando horas de planejamento, deslocamento, comunicação e overhead administrativo. A alternativa é precificar por valor entregue: resultado, experiência e transformação, não tempo.

Esse é o ponto mais importante do guia. O modelo de cobrança por hora é conveniente para o aluno e prejudicial para o personal. Quando você cobra por hora, você está colocando um teto no seu faturamento: ele cresce só se você trabalhar mais horas, o que tem limite físico e de saúde.

Existem três movimentos práticos para sair dessa armadilha:

1. Venda planos, não aulas avulsas

Mensalidades e pacotes trimestrais criam previsibilidade financeira para você e comprometimento para o aluno. Um aluno que paga mês a mês falta menos, treina com mais consistência e fica mais tempo com você. O controle de pagamento de alunos fica muito mais simples quando você opera com planos recorrentes.

Tela real da Welltrainer mostrando o financeiro com saldo, entradas do mês e aviso de aluno devendo

2. Crie camadas de serviço com preços diferentes

Nem todo aluno quer ou precisa do mesmo serviço. Um modelo simples:

  • Plano Essencial: treinos prescrito digitalmente + acompanhamento por mensagem
  • Plano Completo: essencial + sessões online ou avaliações mensais
  • Plano Premium: completo + atendimento presencial e acompanhamento diário

Essa estrutura permite que você atenda mais alunos sem aumentar proporcionalmente as horas trabalhadas. A camada essencial pode ter dezenas de alunos; a premium, talvez cinco ou dez.

3. Precifique o resultado, não o tempo

Um personal que coloca em foco a transformação, não a hora, justifica preços maiores. “R$ 250 por hora” soa caro. “R$ 1.800 por mês para perder 8 quilos com acompanhamento diário” soa como um investimento razoável para o público certo.

Isso exige que você defina claramente quem é seu aluno ideal, qual transformação você entrega e qual é o prazo realista. Mas quando esse posicionamento está claro, o preço deixa de ser objeção.

Como gerenciar alunos e pagamentos para cobrar mais

Personal trainers que profissionalizam a gestão dos alunos, com controle de pagamentos, comunicação organizada e histórico de treinos centralizado, conseguem justificar preços maiores e reduzir a inadimplência. A percepção de profissionalismo é um fator real de precificação.

Existe uma relação direta entre organização profissional e capacidade de cobrar mais. O aluno que recebe acompanhamento estruturado, com histórico de evolução, comunicação rápida e cobrança organizada, percebe mais valor no serviço. Essa percepção justifica preços superiores.

Por outro lado, o personal desorganizado tende a cobrar menos porque sente que não entrega o suficiente. E muitas vezes não entrega mesmo, não por falta de conhecimento técnico, mas por falta de processo.

Centralizar o gerenciamento de alunos em uma plataforma específica resolve vários problemas de uma vez: histórico de treinos, comunicação, pagamentos e acompanhamento de evolução ficam em um único lugar. Isso libera tempo mental que você pode usar para melhorar o serviço ou atender mais alunos.

Um aplicativo para personal trainer profissional faz a diferença também na experiência do aluno. Quando ele abre o app e vê seu progresso, os treinos prescritos e consegue se comunicar com você diretamente, a satisfação aumenta. E aluno satisfeito paga mais e indica mais.

O Welltrainer reúne gestão de alunos, prescrição de treinos, controle financeiro e comunicação em uma plataforma só, desenvolvida especificamente para personal trainers brasileiros.

Os 4 erros que destroem a margem do personal trainer

Os quatro erros mais comuns na precificação do personal trainer são: não contabilizar tempo improdutivo, dar desconto sem critério, não reajustar anualmente e misturar conta pessoal com conta do negócio. Cada um deles corrói a margem de formas que muitas vezes só aparecem no acumulado de meses.

Erro 1: Ignorar o tempo invisível

Planejar treino, responder mensagem, estudar para atender melhor. Tudo isso é trabalho. Se você não contabiliza esse tempo na sua conta de horas produtivas, está inflando artificialmente a capacidade e achatando o preço que deveria cobrar.

Segundo o Sebrae (2024), 68% dos personal trainers autônomos não sabem calcular seu custo hora real. Isso acontece principalmente porque o tempo não remunerado nunca entra na conta.

Erro 2: Dar desconto “por ser amigo” ou “para fechar”

Desconto sem critério é cortar a própria margem. Se o seu preço está fundamentado no Método do Custo Real, qualquer desconto que leve a sessão abaixo do piso significa prejuízo real, não generosidade.

Se quiser dar condição especial, faça por frequência (como na tabela de planos acima), por pagamento antecipado (trimestral ou semestral com 5% a 10% de desconto) ou por indicação. Nunca por pressão emocional.

Erro 3: Nunca reajustar

A inflação acumulada no Brasil entre 2020 e 2025 ultrapassou 35% (IBGE/IPCA). Se o seu preço não subiu nesse período, você está cobrando um terço a menos em poder de compra do que cobrava cinco anos atrás.

Reajuste anual de 8% a 12% é o mínimo para acompanhar a realidade econômica. Comunique com 30 dias de antecedência, justifique pela inflação e por melhorias no serviço, e mantenha o tom profissional. Alunos comprometidos raramente saem por um reajuste justo.

Erro 4: Misturar conta pessoal com conta do negócio

Quando tudo entra e sai da mesma conta bancária, você perde a visibilidade sobre o que é receita do negócio e o que é dinheiro pessoal. Isso torna impossível calcular margem real, projetar meses futuros ou perceber quando está no prejuízo.

Abra uma conta separada para o negócio (MEI ou PJ). Todo pagamento de aluno entra nessa conta. Todo custo operacional sai dela. O pró-labore é transferido mensalmente para sua conta pessoal. Simples assim.

Quando e como aumentar o preço sem perder alunos

Para aumentar o preço sem perder alunos, comunique o reajuste com antecedência mínima de 30 dias, justifique com melhorias concretas no serviço e ofereça uma transição para alunos antigos. Aumentos anuais de 10% a 15% são facilmente absorvidos por alunos satisfeitos e alinham o preço à inflação do setor.

O momento mais difícil para qualquer personal é o do reajuste. Mas se você nunca aumenta o preço, acontece o seguinte: em cinco anos, o custo de vida sobe 40%, o seu estudo e experiência aumentaram, mas o que você cobra é o mesmo de quando começou.

Quando reajustar

  • Anualmente (no mínimo), corrigindo pela inflação do período
  • Ao concluir uma especialização relevante
  • Ao mudar de modalidade ou adicionar um serviço novo
  • Quando a demanda por vagas supera sua capacidade (lista de espera)
  • Ao renovar o contrato com alunos de longa data

Como comunicar o reajuste

Seja direto. Informe com 30 a 45 dias de antecedência, explique brevemente o motivo (inflação, novas certificações, melhoria do serviço) e mantenha o tom profissional. Não peça desculpas por cobrar mais: você está cobrar o valor justo pelo seu trabalho.

No fim do treino, a personal trainer conversa de forma direta e tranquila com a aluna sobre o reajuste do valor

Exemplo de comunicação simples:

“A partir de [data], meus planos terão reajuste de X%. Informo com antecedência para que você possa se organizar. O valor novo será Y. Qualquer dúvida, me chame.”

Alunos que saem por causa de um reajuste justo provavelmente não eram os alunos certos para o seu negócio. Alunos comprometidos com o resultado raramente saem por 10% de aumento no preço.

O preço para novos alunos

Uma estratégia comum é manter os alunos antigos no preço atual por mais um ciclo e cobrar o preço novo apenas para novos alunos. Isso reduz o atrito imediato e permite que você vá naturalmente migrando a cartela para o preço correto ao longo do tempo.

Precificação para personal trainer online: o que muda

No atendimento online, a precificação muda porque o custo operacional é menor, mas a escala potencial é maior. Personal trainers online cobram entre R$ 150 e R$ 800 mensais por aluno, dependendo do nível de acompanhamento. A chave é definir o que está incluído em cada plano com clareza.

O atendimento online abriu uma nova fronteira de faturamento para o personal trainer. Com custos operacionais menores (sem academia, sem deslocamento), é possível atender mais alunos com margem maior. Mas isso não significa que online é necessariamente mais barato para o aluno.

O preço online justo depende do que você inclui:

  • Só prescrição de treino mensal: R$ 150 a R$ 300
  • Prescrição mais feedback semanal e ajustes: R$ 300 a R$ 500
  • Acompanhamento diário com vídeo-check ou call semanal: R$ 500 a R$ 800+
  • Sessões ao vivo por videoconferência (adicional): R$ 60 a R$ 200 por sessão

Quem quer estruturar uma consultoria online profissional precisa definir esses pacotes com clareza antes de começar a captar alunos. Preço indefinido gera negociação que invariavelmente resulta em desconto.

O modelo híbrido, que combina sessões presenciais com acompanhamento online, tem crescido como opção que justifica tickets maiores com menor carga de trabalho presencial. Se você atende um aluno duas vezes por semana no presencial e complementa com acompanhamento digital diário, pode cobrar um valor mensal mais alto do que apenas as duas sessões justificariam.

Próximos passos: como definir seu preço agora

Para definir o preço como personal trainer, calcule primeiro seu custo hora real, compare com a tabela regional de mercado, defina sua modalidade principal e crie planos com preços fixos mensais. Evite cobrar por sessão avulsa como regra, pois esse modelo dificulta previsibilidade financeira e aumenta a inadimplência.

Se você chegou até aqui, tem tudo o que precisa para agir. Aqui está o roteiro direto:

  • Passo 1: Liste todos os seus custos mensais hoje. Seja brutal na honestidade, inclua tudo.
  • Passo 2: Calcule o seu custo hora usando a fórmula do guia.
  • Passo 3: Compare com a tabela da sua região. Se estiver abaixo da faixa mínima, você já tem o diagnóstico.
  • Passo 4: Crie dois ou três planos com preços mensais fixos, cada um com entregáveis claros.
  • Passo 5: Defina a data do próximo reajuste agora, antes de precisar fazer isso na pressão.
  • Passo 6: Organize a gestão dos seus alunos e pagamentos para que a profissionalização seja visível ao aluno.

Cobrar mais não é ganância. É o que garante que você vai continuar no mercado, evoluindo como profissional e entregando um serviço cada vez melhor. O personal que cobra pouco demais acaba esgotado, desanimado e, eventualmente, sai do mercado ou migra para emprego CLT por necessidade financeira.

O mercado brasileiro tem espaço e demanda para personais bem precificados. Segundo o CONFEF (2023), são mais de 500 mil profissionais registrados, mas a demanda por serviços de qualidade continua crescendo. Diferencie-se pelo resultado que entrega, organize sua operação e cobre o que o seu trabalho vale.

Perguntas Frequentes

Quanto cobra um personal trainer por mês em média no Brasil?

Segundo dados de plataformas como Catho e Vagas.com (2024), personal trainers autônomos faturam em média R$ 3.300 por mês. Porém, esse valor varia bastante conforme a região, modalidade de atendimento e anos de experiência. Profissionais especializados em grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, podem faturar entre R$ 8.000 e R$ 20.000 mensais com uma cartela bem estruturada.

Quanto cobrar pela primeira aula experimental como personal trainer?

A aula experimental pode ser cobrada com desconto (50% a 70% do valor normal) ou oferecida gratuitamente como estratégia de captação. Se você optar por cobrar, mantenha um valor simbólico que não desvalorize o serviço. O mais importante é que a aula experimental seja um showcase real do seu trabalho: diagnóstico, prescrição e experiência do aluno precisam ser impecáveis.

Vale a pena cobrar menos no início para pegar experiência?

Depende. Cobrar um pouco menos no início para construir cartela e reputação pode ser uma estratégia válida por 3 a 6 meses. O problema é quando o personal não estabelece um prazo para o reajuste e permanece com preços de início de carreira por anos. Defina desde o começo o preço que vai cobrar após esse período inicial e comunique isso claramente aos alunos que adquirirem o plano com desconto.

Como justificar um preço alto para o aluno que acha caro?

Não justifique o preço, justifique o resultado. Em vez de explicar por que você cobra R$ 250 por hora, mostre o que o aluno vai alcançar, em quanto tempo e com que metodologia. Objeção de preço quase sempre é objeção de percepção de valor. Quando o aluno entende claramente o que está comprando e acredita no resultado, o preço deixa de ser o fator decisivo.

Personal trainer pode usar MEI para cobrar alunos?

Sim. O personal trainer pode atuar como MEI (Microempreendedor Individual), pois a atividade consta na lista de ocupações permitidas pelo CNAES. Como MEI, você pode emitir nota fiscal, ter CNPJ e pagar o DAS mensal com cobertura previdenciária básica. Porém, se o faturamento superar R$ 81.000 por ano, é necessário migrar para ME ou EPP. Consulte sempre um contador para definir o melhor regime tributário para o seu caso.

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Fundador do Welltrainer. Escreve sobre tecnologia aplicada ao fitness e gestão de personal trainers.